Entendemos que a questão que envolve o
aquecimento global deva ser vista com a devida cautela, uma vez que é uma
questão de caráter pluridisciplinar e
que portanto, deve ser muito bem estudada e analisada para não adquirir
uma dimensão baseada no senso comum.
As questões apresentadas não devem ser vistas
como algo irrefutável, pois sabemos que a ciência não é “estática” e que descobertas
novas ocorrem constantemente e em todas as áreas do conhecimento, contradizendo
o que já tinha sido dito e que até então era considerado verdadeiro e
definitivo.
Após as
ressalvas apontadas, observamos que no filme a questão do aquecimento global é
colocada como um problema de ordem moral ao mesmo tempo em que a problemática é
apresentada de forma a-política, a-econômica e a-histórica ao não fazer
críticas ao modo de produção capitalista e transferir aos indivíduos a
responsabilidade pela situação do planeta.
É o que
François Dosse nos ensina no livro A História em Migalhas – dos Annales à Nova
História ao assinalar que “a negação da
política num mundo de “ilusões perdidas” e com a ampliação do privado e o
mascaramento das identidades sociais, ocorre uma perda da consciência da
historicidade e sem o sentido do devenir humano, a consciência histórica se
rende à pura descrição dos fatos.”
E assim os interesses políticos,
econômicos e estratégicos relacionados às mudanças climáticas não aparecem no
filme, além de não questionar o consumo, os padrões de desenvolvimento e o
modelo econômico vigente.
Percebemos também que há uma retomada
no filme de conceitos ligados às teses malthusiana e neomalthusiana de explosão
no crescimento populacional mundial, segundo as quais o equilíbrio ambiental apresenta-se como produto do tamanho e
crescimento da população, havendo assim, uma relação direta entre crescimento
demográfico e pressão sobre recursos naturais, resultando daí a conclusão
imediata da necessidade do controle populacional.
Na realidade os dados estatísticos indicam que
o crescimento da população mundial está caindo e que a taxa de natalidade
mundial que era de 3,3% em 1970, caiu para 2,1% em 2010 e a taxa média mundial
de filhos por mulher, que era de 5,0 em 1950, caiu para 3,1 em 1995, e para 2,6
em 2010. Disponível em
http://www.ufjf.br/ladem/2012/05/20/a-transicao-demografica-e-o-crescimento-populacional-no-mundo-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/.
Constatamos também que os maiores índices de crescimento populacional
são registrados nos países pobres da América Latina, África e Ásia, portanto,
regiões onde os níveis de industrialização, consumo e emissões são
infinitamente menores em decorrência da pobreza da população.
Alguns pesquisadores contestam a hipótese do aquecimento global como,
por exemplo, o Professor Dr. Luiz Carlos Baldicero Molion, que em artigo
publicado na Folha de São Paulo de 31/07/2012 – Tendências e Debates refuta
categoricamente a questão do aquecimento global ao afirmar que o “efeito estufa jamais foi comprovado” e
contradizendo as argumentações oficiais
afirma também que “após a Segunda Guerra Mundial, quando as
emissões aumentaram significativamente, a temperatura global diminuiu até a metade dos anos 1970 e que, portanto,
o Co2 não controla o clima global.”
E conclui afirmando que “como mais
de 80% da matriz energética global depende de combustíveis fósseis, reduzir
emissões significa reduzir a geração de energia e condenar países subdesenvolvidos
à pobreza eterna, aumentando as desigualdades sociais no planeta.”
Diante do que foi brevemente exposto, entendemos que nós professores,
devemos ter o discernimento e a cautela necessária para a abordagem da questão
climática do planeta sem eleger uma única matriz teórica, além de aprofundarmos
nossos estudos para podermos transmitir da melhor forma possível um tema tão
polêmico.
Joacir Feliciano Pimenta
Geografia
Referências
DOSSE, François, A história em migalhas: dos Annales à “Nova História” –
São Paulo : Ensaio: Editora da Universidade Estadual de Campinas, 1992.
MOLION, Luiz Carlos Baldicero - Folha de São Paulo – Tendências/Debates
– 31/07/2012.
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